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    HOMENAGEM A ALBERTO COHEN


    Amigos e amigas, nesta atualização quero prestar minha sincera homenagem a este excelente poeta paraense, ser humano da melhor qualidade, um amigo de todas as horas, certas ou incertas. Além de conterrâneos somos contemporâneos e só lamento não ter conhecido o Alberto Cohen, poeta, há mais tempo.

    Já divulguei uma crônica, no Coojornal da revista Rio Total, escrita com ele, portanto a quatro mãos, com muita honra para mim. Refiro-me ao texto de A SAMAUMEIRA E OS PASSARINHOS. Outras poderão surgir, com certeza.

    Cohen tem vários livros editados e importantes premiações obtidas em concursos literários. Como já disse a ele, o homem Alberto Cohen já nasceu poeta, tanto assim que, independente dos rumos que tomou em seu viver, a poesia sempre esteve latente e acabou por se revelar tirando Cohen do anonimato.
    Tive a oportunidade, a convite dele, de escrever o Prefacio de seu livro “Daltônicos”, no ano de 2004. Mas, conheçam melhor o amigo, conterrâneo, e excelente poeta Alberto Cohen, por suas próprias palavras, na entrevista abaixo.

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    - Quando e como você descobriu a poesia?

    - Sinceramente, não me lembro de um momento específico. Algo assim como acordar um dia e perceber que a poesia estava ali e me queria, ou eu a queria. Desde que me entendo por gente, escrevo 90% poesia e o restante poesia em prosa. Meu irmão Danilo, um dia desses, lembrou que aos sete, oito anos de idade, escrevi alguma coisa que falava da noite, do céu e das estrelas. Depois, como todo adolescente, tentei fazer versos para a primeira namorada. Claro que eram apenas tentativas. A poesia, no entanto, já mostrava a cara, embora de relance.

    - Você lia muito na sua infância e na adolescência? Qual o tipo de leitura?

    - Muito. Todo o tipo de leitura. Gibi, Guri, Capitão Marvel, Tio Patinhas, misturados com Machado de Assis, José de Alencar, Humberto de Campos, Alexandre Dumas, Dostoievski, Bruno de Menezes, Olavo Bilac, Castro Alves, Casimiro de Abreu e tantos outros. Meu pai, um maravilhoso autodidata, tinha em casa uma imensa biblioteca de autores diversos, enciclopédias, obras esotéricas, etc., etc., etc.

    Minha mãe era contabilista (guarda-livros, na época), mas não exercia a profissão. Era do lar. Escrevia muito, poesia, pensamentos, considerações, e incentivava os filhos para a leitura e a redação.

    Naquele tempo não havia televisão e o entretenimento era o cinema no fim de semana e a leitura.

    - E como adulto?

    - Leio e releio sempre. A releitura é muito importante para a percepção dos pequenos detalhes, das insinuações escondidas no meio das frases e nas últimas sílabas.
    No momento estou re-relendo Fernando Pessoa, com recaídas de Ruy Barata, Mario Quintana e Florbela Espanca.

    - Quando começou a escrever poesia a sério?

    - Sempre escrevi a sério. Obviamente um menino e um adolescente têm a seriedade de sua idade. A maturidade traz uma complexidade maior de experiências e formas de dizê-las. Tenho um amigo escritor que costuma dizer que o ideal é escrever como um garoto maduro e um homem infantil.

    - Como advogado fez alguma defesa em versos?

    - Não. Embora ache que a poesia cabe em qualquer lugar e momento, é necessário que se sinta o arroubo de poetar e advogando eu nunca o senti. Até porque é muito difícil juntar a técnica da poesia com a de postular em juízo, sem danos para uma das duas.

    - Como Delegado de Polícia você escrevia poesias?

    - Jamais parei de escrever. Por timidez não divulgava. Só vim a fazê-lo depois que meus filhos me inscreveram nos concursos literários da Editora Scortecci, de São Paulo e da Casa do Poeta Brasileiro, da Bahia. Venci os dois, sendo premiado no primeiro com a publicação de "Poemas sem dono". A partir daí, vieram outros livros com poemas de várias fases de minha vida.

    - Quais os outros títulos publicados?

    - Mais três, todos pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores, Cbje, do Rio de Janeiro, do meu amigo e grande incentivador Luiz Carlos Martins. Só eles: "Poemas de amor, desamor e saudade", "Daltônicos", que você, Simões, prefaciou, e "Recados para Wendy".

    Aliás, sobre o assunto incentivo, devo dizer que o tenho recebido de várias vertentes mas, principalmente da minha família, do Luiz Carlos e de você, Francisco Simões, escritor, amigo e conterrâneo. Claro que muitos me apoiaram e sou muito grato a todos. Mas eu falo do incentivo cotidiano, aquele das horas de vitórias e dúvidas. Aquele que não tem prego e não é cobrado. Aquele que anula a lei da gravidade dos que menosprezam o levitar.

    - Para terminar, alguma mensagem para os jovens poetas?

    - Eu diria a todos eles que acreditem no que fazem e continuem fazendo. Ougam a voz dos outros poetas, troquem experiências com eles, mantendo, porém, a identidade poética. Não se importem com os críticos de carteira assinada. Afinal, o que seria dos curiós se o céu fosse só dos gaviões?